A mídia tem dado um destaque interessante aos nunca falados Jogos Mundiais Militares, que teve sua última edição realizada na Índia. Jogos interessantes, voltados para um público tão rechaçado no dia-a-dia – alguns, talvez, idolatrados. Dilma fez discurso, Pelé acendeu a pira olímpica, tudo o que manda o cerimonial de abertura de um evento esportivo, tal qual acontecerá em 2016 – assim esperamos.
Este ano, a delegação nacional conta com 268 atletas. E aí e que mora o grande problema destes jogos. Ontem acordei de manhã e vi um time profissional de vôlei jogando contra os Estados Unidos. E parei para assistir achando que realmente era um campeonato internacional da Seleção Brasileira B disputando o título: ledo engano.
Lembro-me vagamente de ter visto alguns atletas de ponta fazendo treinamentos em quartéis, como o Diogo Silva, do taekwondo, que teve que raspar a barba e tirar os dreads malucões. Porque para aqueles que já fizeram o Tiro de Guerra ou são envolvidos nisso, sabem muito bem as normas que devem ser seguidas.
Mas voltando ao jogo na TV. A seleção norte-americana era típica de universidade – ou que simplesmente não tinha uma rotina de treinos absurda; meninas que usam fitinhas com a bandeira norte-americana amarradas no cabelo, e não são típicos de jogadoras de voleibol (sim, sabemos diferenciar o que cada mulher joga de acordo com a forma que prende o cabelo). E logicamente, tomara um pau da seleção B do Brasil, que contava com Waleskinha, Ana Cristina, Monique… Jogadoras de Superliga. Times de ponta! Placares do tipo 25×4, 25×7.
Pera um minutinho aí! Que eu saiba, essas jogadoras são profissionais, nunca tiveram obrigação de prestar serviços militares e o que cazzo estão fazendo ali? Pelo que bem sei, jogar voleibol profissionalmente faz as pessoas abdicarem até de estudar, quanto mais prestar serviços militares. E talvez até mesmo recebendo por isso.
Mas aí chega a informação: todos os atletas, tirando os que são militares de fato, foram condecorados a 3º Sargentos Temporários (ou provisórios). No time feminino de vôlei, somente uma realmente segue a carreira militar: a líbero reserva! E essa enganação entre os atletas se espalha para as outras modalidades, tipo Sgt Joanna Maranhão e Sgt Fabíola Molina.
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Tudo isso para deixar bem claro que a minha crítica pode ser errada quanto a alguns atletas, que realmente seguem a carreira militar, mas que misturados aos outros, acabam não tendo o ‘brilho’ eu deveriam em seus próprios jogos.
O Brasil, juntamente com todas as comissões responsáveis pela organização dos jogos, quer mostrar competência e, sendo sede, domínio em todas as modalidades. Precisa mesmo? Talvez, para quem está de fora isso deve ser realmente importante. Mas os brasileiros sabem o quanto o país é despreparado para qualquer coisa, principalmente eventos de grande porte. Resultados não vão mudar absolutamente nada, a não ser para aqueles que não sabem a forma como ou por quem são conquistados.
Ao longo dos tempos, somos surpreendidos com notícias relacionadas a doping, e raramente (mesmo sabendo que existe muito mais por aí), casos de atletas irregulares, os ‘gatos’. Sim, os jogos militares são um exemplo de “gato permitido”, um cargo dado apenas para aquelas pessoas que farão o seu trabalho dentro das quadras/ campos/ pistas/ piscinas e no final, para eles, será mais uma competição no currículo. Eles saberão, após isso, manejar uma arma, atirar, sabem como é o dia-a-dia de um quartel. E só. E escancarado mesmo com o intuito de “fazer uma performance expressiva”.
E tenho certeza mais do que absoluta: dos 268 atletas dessa comissão, mais da metade nunca defenderá o país fora de seu ‘habitat natural’: as quadras/ campos/ pistas/ piscinas.
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